Economia Centralizada

Segundo Rossetti em seu livro Introdução à Economia, a economia central surgiu com técnicas de estatísticos e economistas, que dominavam técnicas econométricas como Kondratieff, Makarov e Groman, desenvolveram estudos para a implantação de um sistema centralizado de planificação, com qual poderia ser viabilizada a economia coletivista de comando central. Estabeleceram-se nesse período, as instituições básicas do novo sistema , sua organização e os instrumentos de comando que empregaria . O retorno do sistema de comando central ocorreu a partir de 1927-28, no inicio da era Stalinista. Quando J.Stalin que assumiu o poder, já encontrava definido o quadro institucional do sistema. É também como estruturas suas bases organizacionais e o modelo de gestão que será adotado para a coordenação da economia como um todo.


Quadro institucional e o modelo de planificação

A posse e o controle, pelo governo, da totalidade dos meios de produção da economia
Isto significa reduzir a zero ou quase zero as variadas formas de propriedade privada dos recursos produtivos. Admitem-se apenas algumas atividades terciarias, em que a prestação do serviço é executada por unidades individuais, sem emprego de terceiros. Mas as terras, as fábricas, os bens de capital de forma geral, o aparelho de produção da economia passa para a mão de um governo central, que determinará como e para que finalidade ele seja mobilizado.

A justaposição dos poderes políticos e econômicos
Este traço é decorrência linear da coletivização dos meios de produção. Com ele o governo, a um só tempo, centraliza o poder político, no sentido de estabelecer as diretrizes estratégicas da economia, e o poder econômico, no sentido de dispor, via centrais de planificação, da totalidade dos recursos econômicos da nação. Esta concentração de funções é que conduz á justaposição dos centrais de decisão política e econômica. Trata-se de uma instituição que é diametralmente oposta ao principio da descentralização das economias de mercado: nestas prevalece a livre iniciativa empresarial e o mercado se transforma em um centro de orientação de processo econômico . Mas quando se estabelecem as bases do comando central, toda iniciativa econômica é centralizada e o mercado é substituído por centrais de planificação.

A soberania do planejador
Este traço institucional é uma decorrência natural dos dois anteriores. A soberania do consumidor ou do produtor, movidos por interesses privados, é substituída pela do planejador. A justificativa dessa mudança é a busca da racionalidade na alocação de recursos: por um plano central, busca-se eliminar uma das deficiências da economia de mercado apontada pelos socialistas a ineficiência alocativa. Nos sistemas de comendo central, o planejador define prioridade social e mobiliza o sistema econômico para realizá-las. Junto com a eficácia alocativa, o planejador determina também como e onde os recursos serão empregados, mobilizando-os em sua totalidade, segundo padrões estabelecidos de eficiência produtiva. Em decorrência desse quadro institucional, o governo assume a posição de agente econômico central com a responsabilidade pelo equacionamento das três questões-chaves da economia: a eficiência, a eficácia e a justiça social. Como agente central, ele decide sobre a transferência de recursos de uma empresa para outra e, também sobre a fração dos resultados que irão para seu próprio orçamento; definidos os padrões da estrutura de repartição, é ele que indica quanto à renda agregada irá para as unidades familiares.
Para conduzir a economia com comando central o governo recorreu a um conjunto de planos, desde planos prospectivos, elaborados para horizontes de longo prazo, passando por planos de médio prazo, geralmente qüinqüenais até chegar aos planos operacionais, de condução do processo econômico, de orçamento e de orçamentos de metas anuais. Tendo elaboração e acompanhados por centrais de panificação, geralmente estruturadas a partir de divisões setoriais. Os planos para diferentes setores da economia são entrecruzados, buscando-se sua interconsistência.

Os vícios e as imperfeições dos sistemas centralizados
Uma avaliação da trajetória histórica das economias de comendo central evidencia uma característica comum a todas elas: a passagem de modelos centralistas para formas flexíveis de condução da economia. Em todas, observam-se também como evoluções comuns a revisão de duas instituições fundamentais: a propriedade coletivizada dos meios de produção e a restrição á liberdade para empreender.

As mudanças observadas nessas economias têm muito a ver com os vícios as imperfeições e as deficiências do modelo centralista. Entre as de maior relevância, são destacadas as seguintes

· Burocratização excessiva imposta ao processo econômico.
· Insubmissão de atividades primárias e terciárias ao rigorismo dos comandos centrais.
· Congelamento de padrões definidos
· Vulnerabilidade á propagação de erros estratégicos e operários.
· Desalinhamento das escolhas ás aspirações sociais.
· Dificuldades para reconhecer e corrigir externalidades negativas.
· Perda progressiva de eficiência produtiva, comprometendo em longo prazo o objetivo dominante da justiça distributiva.

Todas as imperfeições esta de alguma forma relacionada aos traços dominantes da ordem institucional definida pela ortodoxia modelos coletivistas-centralistas. Algumas estão relacionadas com a justaposição dos poderes econômicos e políticos, outras com a coletivização de todos os meios de produção. Há também as que derivam da soberania do planejador.
Os caminhos da desradicalização ideológicas e da flexibilização dos comandos centrais decorreram deste conjunto de deficiências. Embora em graus variados, eles são de alguma forma adotada por todas as economias coletivistas – centralistas. São raros e cada vez mais isolados os casos de economias alinhadas á matriz ideológica e ás normas operacionais do centralismo que permanecem inflexíveis em relação aos postulados do modelo. Como ocorreu na economia de mercado, a correção de vícios e imperfeições acabou por configurar novos traços institucionais.
Nesse sistema a forma de resolver os problemas econômicos fundamentais é decidida por uma agência ou órgão central de planejamento. A propriedade dos recursos é do Estado, incluindo máquinas, terra, entidades financeiras, entre outros; e os meios de sobrevivência pertencem aos indivíduos.
Esse sistema apresenta a seguintes características:
Papel dos preços no processo produtivo: Os preços representam apenas os recursos contábeis que permitem o controle da eficiência das empresas;
Papel dos preços na distribuição do produto: Os preços são determinados pelo governo que subsidia bens essenciais e taxa os supérfluos;
Repartição do lucro: uma parte vai para o governo, outra para investimentos na empresa e outra é dividida entre trabalhadores e administradores.



Aspectos de uma economia Planificada
Vantagens da Economia Planificada
Devantagens da Economia Planificada
- Papel dos preços no processo produtivo: Os preços representam apenas os recursos contábeis que permitem o controle da eficiência das empresas.
- Eficiente alocação dos recursos escassos.
- Burocratização excessiva imposta ao processo econômico e dificuldades para reconhecer e corrigir externalidades negativas.
Papel dos preços na distribuição do produto: Os preços são determinados pelo governo que subsidia bens essenciais e taxa Os supérfluos.
 Distribuição justa de renda.
 Insubmissão de atividades primárias e terciárias ao rigorismo dos comandos centrais.
Repartição do lucro: uma parte vai para o governo, outra para investimentos na empresa e outra é dividida entre trabalhadores e administradores.
Estabilidade de preços e Planejamento Central pelo Estado.
Congelamento de padrões definidos e desalinhamento das escolhas ás aspirações sociais.


VASCONCELLLOS, Marco Antonio Sandoval, ECONOMIA Micro e Macro, 4ª edição Editora Atlas

ROSSETTI, José Paschoal, Introdução à economia, 20ª edição, Editora Atlas

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